Um Brexit sem acordo pode agravar crise do setor aéreo na Europa

Não está fácil a situação do transporte aéreo na Europa. Em meio às manifestações das companhias aéreas por mais ajuda financeira e eliminação da política de quarentena obrigatória, a indefinição do Reino Unido sobre as regras do setor com sua saída da União Europeia (UE) pode agravar ainda mais o cenário.

Um estudo da Universidade London School of Economics, publicado em setembro, revelou que o custo de um Brexit sem acordo pode ser de duas a três vezes pior para a economia do Reino Unido do que o impacto da pandemia de coronavírus. Para piorar o prognóstico, a agência de classificação de risco Fitch Ratings divulgou recentemente que as companhias aéreas e aeroportos europeus podem sofrer ainda mais pressão econômica se o Reino Unido e a UE não chegarem a um acordo sobre conectividade de aviação para o período pós-Brexit.

A Corporate Travel Community (CTC), uma rede de internacional de compradores de viagens corporativas, publicou que as companhias e os aeroportos britânicos que concentram a maior quantidade de voos para continente serão os mais afetados por uma saída abrupta do bloco europeu. Já as instituições com sede do outro lado do Canal da Mancha seriam menos afetados, mas ainda assim impactadas em um momento de fragilidade, de acordo com o diagnóstico da Fitch.

Brexit

O Reino Unido saiu oficialmente da União Europeia em 20 de janeiro de 2020. Nesse dia, se iniciou um período de transição de um ano, em que ambas as partes negociarão detalhes do novo relacionamento entre os governos, como a circulação de cidadãos europeus e britânicos entre as duas regiões e a relação comercial, mas esses acordos ainda não foram finalizados, mesmo a poucas semanas do fim do prazo.

De acordo com o Centre for Avtiation (CAPA), o Secretário de Transportes do Reino Unido, Grant Shapps, confirmou que, caso falhem as negociações entre Reino Unido e UE para substituir o Acordo Abrangente de Transporte Aéreo (CATA, na sigla em inglês), que termina em 31 de dezembro de 2020, há a expectativa de que o bloco apresente medidas de contingência. O CATA existente permite que as companhias aéreas do Reino Unido viajem para os 27 países da UE e 17 outros países. O Reino Unido já tem acordos bilaterais com mais de 100 nações em todo o mundo, incluindo Brasil.

Começando pelo básico

A agência Fitch espera que as partes façam, pelo menos, arranjos básicos para manter a conectividade, seguidos de um acordo amplo e de longo prazo. Se não houver  um novo acordo a tempo ou a implementação de medidas de contingência, pode haver uma paralisação dos voos entre Reino Unido e UE, o que agravaria os problemas nos setores de transporte aéreo e infraestrutura, já debilitados pela pandemia de COVID-19.

As receitas dos aeroportos do Reino Unido podem ficar temporariamente sob pressão adicional no caso de o tráfego aéreo parar, especialmente se tal cenário durar até o verão de 2021. Os aeroportos da União Europeia devem se sair melhor devido à sua menor dependência do  Reino Unido, mas os terminais britânicos enfrentariam uma grave crise. Londres está entre os 10 principais destinos para a maioria dos aeroportos europeus classificados pela Fitch.

A Fitch alerta que acesso a liquidez financeira adequada seria fundamental para resistir a interrupções operacionais de curto prazo nos aeroportos. Alguns terminais já começaram a se preparar para uma possível paralisação.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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