Um em cada três Jumbos Boeing 747 voa para este aeroporto, veja o porquê

Receba as notícias em seu celular, acesse o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

O FlightRadar24 revelou nessa segunda-feira (11) que um terço de todos os Jumbos Boeing 747 do mundo estavam voando para ou decolaram de um mesmo aeroporto nos EUA.

Boeing 747 Jumbos Anchorage
Boeing 747-8 da Cathay Cargo © ANC Airport

O Aeroporto Internacional Ted Stevens em Anchorage, maior cidade do Alasca, tem sido o principal hub de cargas no mundo, inclusive tornando-se por um dia o mais movimentado do mundo devido à Pandemia do Coronavírus.

Segundo o FlightRadar24, no horário de pico havia 150 Jumbos simultaneamente em voo, e 50 deles iriam pousar em Anchorage ou decolaram de lá.

Olhando pelo mapa vem a resposta óbvia: o aeroporto do gelado Alasca está praticamente na metade do caminho entre EUA e China, ou Américas e Ásia.

Aeroporto de Anchorage, para onde a maioria dos aviões aponta – Imagem: FlightRadar24

Os jatos cargueiros, apesar de grandes, não têm tanta autonomia quanto os de passageiros. Eles sacrificam a quantidade de combustível (e até mesmo em alguns projetos, o tamanho dos tanques) para aumentar a capacidade de carga, seja volumétrica ou na massa (cargas mais densas).

O Boeing 747-8F, por exemplo, tem alcance de 7.630 km ante 14.310 km da versão de passageiros 747-8i, o que impossibilita voos como entre Los Angeles e Pequim sem escalas, ainda mais quando completamente carregado.

Mas a resposta também não é apenas óbvia e geográfica: Anchorage se tornou um entreposto devido a sua burocracia mínima ou praticamente inexistente.

Desde 1996 o Departamento de Transporte dos EUA permite que companhias aéreas estrangeiras façam conexões de carga entre si e também com empresas americanas naquele local.

Outra facilidade é que uma carga que sai, por exemplo, de Hong Kong para Quito no Equador, ao trocar de avião em Anchorage não precisa ser “nacionalizada”, é só transferir de um avião para outro, sem burocracia ou impostos.

Além disso, cargas que têm como destino final os EUA podem seguir no mesmo compartimento das cargas que vão para outros países (que têm níveis de segurança e alfandegários diferentes) se passarem por Anchorage.

Isto tudo tornou Ted Stevens um grande entreposto e uma espécie de Zona Franca. Outros aeroportos no mundo também praticam isso, mas muitas vezes não têm estrutura para realizar muitas operações desse tipo, assim como não são tão bem localizados geograficamente.

Para sentir um pouco dessa movimentação de Jumbos em Anchorage, veja o filme abaixo só com Boeings 747 no aeroporto alasquiano, produzido pelos nossos colegas da JustPlanes:

Receba as notícias em seu celular, acesse o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias