Única companhia aérea lucrativa da África faz proposta à South African Airways

A Ethiopian Airlines, uma das três grandes empresas do mundo a se destacar por apresentar lucro durante a pandemia, deu um novo passo rumo ao aumento do seu poder de fogo no continente africano. No entanto, a proposta para o governo da África do Sul deve fazer com que alguns “torçam o nariz”.

Segundo uma matéria da Bloomberg, a empresa etíope teria proposto ao governo da África do Sul a criação de uma joint-venture para “salvar” a South African Airways (SAA). Na verdade, seria uma salvação operacional, já que os etíopes teriam oferecido “apenas” aviões, pilotos e serviços de manutenção à SAA. Enquanto isso, toda e qualquer dívida relacionada a credores ou custos trabalhistas, oriundas da operação da empresa sul-africana até aqui, estariam totalmente fora do alcance do acordo e seriam pagas com dinheiro do governo da África do Sul.

A maior companhia aérea da África está oferecendo assistência operacional, disse o CEO Tewolde GebreMariam, em uma entrevista em Addis Abeba. “Não queremos lidar com as questões do legado – dívidas, reclamações trabalhistas e assim por diante, porque isso é muito difícil para nós, não apenas em termos de despesas financeiras, mas também em termos de gestão da reestruturação”, disse o CEO.

“Queremos tornar muito fácil para eles reiniciarem a companhia aérea, fornecendo aviões, fornecendo conhecimentos, pilotos, técnicos, liderança”, completou.

Mas alguns não querem

Há políticos e alas da sociedade que não querem ver sua companhia aérea nacional falindo ou passando para a mão de grupos estrangeiros. Com isso, ainda buscam formas de tirar a empresa do atoleiro e angariar novos recursos, o que fica mais difícil a cada dia que passa.

Os administradores atuais da South African Airways disseram que vão decidir sobre o futuro da companhia aérea nessa semana depois de ter contatado “certos financiadores” que estariam dispostos a fornecer uma parte dos US$ 590,4 milhões necessários para a implementação do plano de resgate de negócios da companhia aérea. Enquanto isso, todas as operações da SAA estão suspensas e os apenas seis aviões parados. 

Louise Brugman, porta-voz dos administradores, disse que a SAA honraria todos os seus contratos de repatriação e carga existentes, incluindo os do Programa Mundial de Alimentos, mas nenhum novo contrato seria aceito.

O plano de resgate de negócios da SAA foi aprovado em julho de 2020 com o compromisso do governo de que levantaria o financiamento necessário. Como isso não ocorreu ainda, em setembro os administradores alertaram que a companhia aérea enfrentaria liquidação porque estava ficando sem dinheiro e nenhum crédito disponível no mercado. 

O governo então anunciou que iria redefinir a prioridade das alocações orçamentárias departamentais existentes para encontrar o dinheiro de uma “forma fiscalmente neutra”, um movimento polêmico, pois o Tesouro Nacional Sul-Africano, que não apoia mais resgates do SAA.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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