United considera seriamente comprar Embraer E2 ou Bombardier CSeries

A United, umas da grandes aéreas americanas, está “considerando seriamente” comprar aeronaves menores como os jatos E2 da Embraer e o CSeries da Bombardier, declarou o diretor financeiro da companhia, Andrew Levy, em entrevista à Flight Global.




A companhia baseada em Chicago está avaliando o E2, o CSeries como também o Airbus A319neo e Boeing 737 MAX 7. As aeronaves que devem ter entre 110 e 130 passageiros iriam ajudar a United a chegar na sua meta anual de crescimento de 4 a 6% até 2020.

United Airlines é uma das grandes clientes da Embraer, a poucos anos atrás ainda utilizava o Embraer Brasília através da sua subsidiária United Express, operado pela SkyWest Airlines. Hoje a empresa conta na sua frota regional com o Embraer E145XR e o E175, best seller da categoria.

E esta negociação também envolvem pilotos, principalmente da sua frota regional. Por convenção coletiva, os pilotos de aviões regionais da United Express devem pilotar  aeronaves que levem entre 50 e 76 passageiros como o Embraer E145, E175 e os Bombardier CRJ200 e CRJ700. A empresa também deve manter sua frota regional com no máximo 255 aeronaves (número alcançado em 2017).

Esta condição faz parte da chamada Scope Clause, que são acordos de convenção coletiva entre o sindicato e as companhias aéreas. Basicamente ele limita o número de pilotos que podem voar pelas terceirizadas como a SkyWest e a GoJet, as suas rotas, quantidade de assentos nas aeronaves classificadas como regionais e etc.

A convenção tem como objetivo proteger empregos dos pilotos efetivos que voam o Boeing 737 e o Airbus A320 por exemplo, mas em compensação os pilotos de aéreas regionais são mal pagos apesar do aumento de mais de 30% no salário nos últimos anos.

Esta limitação de 76 assentos nas aeronaves regionais tirou o CSeries do mercado regional americano (e também principal motivo para as baixas vendas do modelo). Mesmo motivo que  leva a Embraer deixar o lançamento do E175-E2 por último da família E2, com a esperança de mudar a convenção e/ou mudar alguns aspectos da aeronave para se adequar as regras americanas.

Segundo Andrew, agora a United está avaliando se a economia que o E2 ou o Cseries pode trazer irá cobrir os custos de um aumento de salário para os pilotos regionais poderem voar estas aeronaves. A convenção coletiva que está valendo na United expira no próximo ano, e as negociações para novas condições para renovação serão feitas em Maio.

“Nós podemos acabar trocando aeronaves de 50 assentos para jatos regionais maiores, porém fizemos um certo acordo com os pilotos, seja para aumento de salário ou promoções. Nós estamos em um mundo que voar aeronaves cada vez maiores é simplesmente melhor” disse Scott Kirby, presidente da United.

Já Andrew declarou que “apesar dos pequenos jatos regionais servirem um nincho, eles são ineficientes e seus custos irão apenas subir a partir de 2018”. Mudar de aeronaves de 76 para 110 assentos, além de reduzir custos de operação, cria novas oportunidades de lucro, como por exemplo as taxas para se voar na Economy Plus ou em uma outra classe mais confortável, algo que não é possível na maioria dos jatos regionais hoje.

Com informações da FlightGlobal

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos