Após 40 anos voando, USAF inicia aposentadoria dos trijatos Douglas DC-10

KC-10 © U.S. Air Force – Senior Airman Elora J. Martinez

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) iniciou ontem (13) a aposentadoria do clássico trijato DC-10, nomeado de KC-10 Extender pelos militares americanos.

Segundo reportado pelo TheDrive, o primeiro KC-10 de número de série 86-0036 voou para a Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona, onde fica o conhecido AMARG – Aerospace Maintenance And Regeneration Group – que estoca e preserva as aeronaves, além de desmonta-lás para servir de peças de reposição para aviões ainda em operação.

Velhos de guerra

A história militar deste trijato clássico da McDonnell Douglas começou em 1977, quando a USAF o escolheu em preterição ao 747, para complementar a frota de aviões reabastecedores KC-135, que provêm do mesmo projeto do quadrijato 707.

A escolha pelo DC-10 modificado se deu pelo fato de que ele tinha um alcance maior do que o 707 e podia levar quase o dobro de combustível para reabastecimento, com uma capacidade total de 160 toneladas. Outro ponto é que o jato era um derivado direto do DC-10-30CF, que pode levar carga e passageiros no deck principal, a chamada configuração Combi (ou combinada). Sendo assim, poderia levar tropas, suprimentos e reabastecer os aviões ao mesmo tempo.

O trijato rapidamente caiu no gosto dos militares americanos, que aumentaram a encomenda de 12 para 60 unidades, sendo que a primeira voou em 12 de julho de 1980, 40 anos atrás.

Cockpit do KC-10 Extender

Um DC-10 sem a fama de DC-10

Apesar do DC-10 ter tido uma má fama pelos seus 55 acidentes e incidentes, sendo 35 com perda total, a versão militar não ganhou a fama de Widow Maker (“Fazedor de Viúvas”), que é a maneira pejorativa pela qual são chamados os aviões militares que sofrem muitos acidentes.

Das 60 unidades entregues, todas continuaram em operação por longos anos, sem acidentes fatais, com exceção de um que sofreu uma explosão e consequente incêndio em 1987, na Louisiana, durante uma manutenção em solo, deixando um militar morto.

A sua capacidade impressiona. Ele pode levar 75 pessoas e 27 pallets de carga de, no máximo, 76 toneladas no deck principal, além do combustível para reabastecimento que utiliza tanques onde seria originalmente o porão da aeronave na versão civil. Ainda assim, pode voar por 3.800 milhas náuticas (7.040 km) e ganhou destaque na Operação Tempestade do Deserto, além da Invasão Americana no Afeganistão em 2001.

Foi o primeiro reabastecedor a ter a operação da mangueira de reabastecimento por sistemas Fly-By-Wire, sem cabos mecânicos, apenas eletrônicos.

O KC-10 mantém a capacidade cargueira e de passageiros do DC-10-30CF.

KDC-10 The Flying Dutch

Como curiosidade, além dos 60 jatos KC-10 de fábrica, existem alguns DC-10 de passageiros que foram convertidos para a vida militar, se tornando os KDC-10.A Força Aérea da Holanda operou dois destes jatos, que foram das companhias aéreas World Airways e Martinair Holland.

Já a operadora civil Omega Air, que fornece serviços de reabastecimento privado para forças aéreas mundo afora, tem quatro desses KDC-10, sendo um que foi dos holandeses e três DC-10-40 convertidos, todos oriundos da JAL – Japan Airlines.

Em breve, os holandeses vão substituir o KDC-10 pelo Airbus A330 MRTT da OTAN, já os americanos optaram pelo Boeing KC-46 Pegasus, um derivado do 767-200ER que sofreu bastante atraso e problemas no seu desenvolvimento e produção.

KDC-10 holândes reabastece o F-35 americano © U.S. Air Force – Chris Okula

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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