Vai viajar? Confira os países mais propensos a atacarem seu avião

Imagem: Al Arabyia TV

Voar continua sendo um dos meios mais seguros para viajar, mas algumas regiões do mundo, geralmente sob conflitos armados ou tensões políticas, podem oferecer um risco maior à segurança das aeronaves que passam por seus espaços aéreos. Não faltam casos em que aeronaves foram sequestradas, tiveram que pousar ou foram até derrubadas por ordem de governos ao redor do mundo.

Por essa razão, a OPS Group, uma organização independente que reúne cerca de 5 mil membros do setor aéreo internacional, como transportadoras comerciais, executivas e militares, privadas e governamentais, fez um mapeamento sobre os países mais perigosos para o transporte aéreo de qualquer natureza. O estudo resultou no Banco de Dados de Zona de Conflito e Risco, um rigoroso acervo de informações que divide o mundo em três níveis de classificação de risco.

O Nível 1 – Não Voe –  é a classe mais severa e reservada para os países alto risco para aviação. Nesses locais, as companhias aéreas são fortemente aconselhadas a evitar totalmente o espaço aéreo. É o caso de países em guerra, com atuação armada no solo, com a possível presença de guerrilheiros armados com dispositivos antiaéreos. Atualmente, Líbia, Iraque, Irã, Síria e Iêmen se enquadram nesta classificação.

Uma classificação de risco de nível 2 – Perigo –  envolve regiões com forte presença de grupos armados, sob regimes instáveis ou marcados por conflitos recentes. Nesses locais, existem avisos de perigos oficialmente divulgados por outras nações para altitudes ou áreas específicas do país, mas não para todo o espaço aéreo. Na avaliação do OPS, o risco de voar nesses países é de baixo a moderado. É o caso do Afeganistão, Bielorrússia, Coréia do Norte e Ucrânia.

Já o Nível 3 – Alerta – abrange países vizinhos a zonas de conflito ou cuja atual situação social ou política possa apresentar algum risco em potencial para o viajante. O sobrevoo é liberado desde que tomadas algumas medidas de segurança. A organização considera Rússia, Turquia e Saara Ocidental, na África, neste cenário, atualmente.

Veja no mapa abaixo uma visão gráfica da avaliação de risco:

Nível de risco do espaço aéreo comercial em 24 de junho de 2021. Fonte: Safe Airspace/Forbes

Ares perigosos

Para organizar os países nestas classificações, o OPS considerou ocorrências graves de ataques contra o transporte aéreo. Entre os principais casos, está o do voo 4978 da Ryanair. Em 23 de maio deste ano, enquanto sobrevoava o espaço aéreo bielorrusso, a aeronave foi escoltada por um caça a jato MIG-29 até pousar em Minsk, capital do país, após uma suposta denúncia de bomba a bordo. Na verdade, as evidências são de que tudo não passou de uma operação do governo bielorrusso para prender o ativista da oposição e jornalista Roman Protasevich.

O caso bielorrusso é muito semelhante a outro registrado em  1971, com um voo da British Overseas Airways Corporation (BOAC), empresa que mais tarde se tornaria a British Airways. Naquele ano, o governo da Líbia interceptou a aeronave britânica enquanto ela sobrevoava seu território e a escoltou até pousar na capital Benghazi. O motivo era a prisão de dois militares que teriam participado de uma tentativa de golpe no vizinho e aliado Sudão. Os dois passageiros foram presos, deportados e sumariamente executados.

Em janeiro de 2020, um míssil disparado pelo governo iraniano derrubou o voo 752 da Ukraine International Airlines, que acabara de decolar do principal aeroporto do país, em Teerã, com destino a Ucrânia. Todas as 176 pessoas a bordo morreram. Já em 2014, o voo 17, da Malaysia Airlines, foi derrubado por um ataque por um míssil terra-ar disparado por separatistas ucranianos pró-Rússia enquanto sobrevoava a Ucrânia durante um voo entre a Malásia e a Holanda. Nenhuma das 298 pessoas a bordo sobreviveu.

Outro caso de destaque é o do voo 655 da Iran Air. Em 3 de julho de 1988, durante a guerra Irã-Iraque, o governo dos Estados Unidos derrubou, por engano, um A300 com 290 pessoas a bordo, entre elas, 66 crianças. Naquele período, os EUA apoiavam o governo de Saddam Hussein contra os iranianos e atingiu a aeronave civil a partir de um cruzador ancorado no golfo pérsico ao julgar erroneamente que o avião que acabara de decolar na cidade iraniana de Bandar Abbas fosse inimigo.

Em 1º de setembro de 1983, o voo 007 da Korean Air, foi derrubado por um caça SU-15 soviético, matando todas as 269 pessoas a bordo. A União Soviética afirmou que não sabia que o avião era civil e como tinha entrado no espaço aéreo soviético, pensaram que era uma provocação deliberada dos Estados Unidos.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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