Vários funcionários foram eletrocutados no novo aeroporto de Berlim

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Imagem: mariohagen / pixabay

O novo aeroporto de Berlim, capital da Alemanha, parece perseguido por uma maldição iniciada muito antes de sua construção e que não quer ir embora. O mais recente problema é a série de casos de funcionários que são hospitalizados após serem eletrocutados enquanto trabalham.

O Aeroporto Internacional Berlin-Brandenburg teve a construção iniciada em 2006, após 15 anos de planejamento. A inauguração só ocorreria em 31 de outubro de 2020, 10 anos depois do previsto inicialmente e em meio à maior crise da aviação de todos os tempos. A obra se tornou emblemática pelos sucessivos casos de corrupção e má condução, que inflaram os custos finais de 2,83 bilhões de euros (R$ 13 bilhões de reais) para mais de 7 bilhões de euros (R$ 32 bilhões), além de terem constrangido governos.

Depois da abertura, novos problemas: infiltração de água da chuva pelas aberturas de ventilação nas fachadas, partes da tubulação para abastecimento dos aviões não se encaixavam umas nas outras, faltavam vários metros de corrimão em algumas escadas, não havia conexão de internet com o corpo de bombeiros, entre outros.

Agora, mais uma grave situação assusta os trabalhadores. Desde a inauguração, em outubro, 60 funcionários da segurança denunciaram terem recebido descargas elétricas enquanto atendiam aos passageiros nos canais de inspeção. Apenas na quarta-feira, 6 de janeiro, 11 operadores diferentes foram vítimas de choques, e quatro deles precisaram ser hospitalizados.

A maior parte dos casos ocorre durante a verificação de segurança das bagagens de mão no terminal 1, nos módulos de inspeção por raios-x.  Os incidentes relatados são acompanhados pela Polícia Federal do país. Segundo o representante do sindicato que representa os profissionais do setor no aeroporto, em entrevista ao jornal alemão Berliner Zeitung, alguns funcionários reclamam terem levados choques repetidas vezes.  

Os seguranças atingidos relatam fortes dores, entorpecimento e sonolência após as eletrocussões. “Diversas vezes, os feridos tiveram que ser transportados de ambulância para hospitais próximos. Os médicos determinaram que algumas das vítimas estavam impossibilitadas de continuar no trabalho”, disse o sindicalista.

De acordo com a polícia, em apuração feita pelo jornal, a causa mais provável dos choques são descargas eletroestáticas. “Isso geralmente não causa ferimentos, mas pode causar surpresa”, disse uma porta-voz da polícia ao jornal. O choque eletroestático ocorre pelo fluxo súbito de eletricidade em dois corpos com carga acumulada.

Uniformes

Segundo um relatório publicado pela Polícia Federal, o problema pode ser consequência de um série de fatores, já que os equipamentos cumprem as normas técnicas estabelecidas e não foram encontrados problemas de manutenção. “As ocorrências podem vir de uma variedade de fontes como, por exemplo, quando os funcionários usam roupas sintéticas ou andam em pisos isolados com sapatos de determinados materiais”, informa o documento.

Para evitar o problema, a administração do aeroporto está treinando os funcionários sobre como evitar cargas eletrostáticas. As orientações incluem o uso de sapatos de descarga eletrostática que podem dissipar a energia acumulada. Os agentes também receberam chaveiros anti-estáticos, que podem descarregar a tensão e evitar choques.

Tapetes dissipativos e almofadas de piso, bem como esfregar frequente as mãos também podem reduzir o risco. A polícia, contudo, recomenda a substituição do material de que é feito o uniforme dos funcionários como a maneira mais efetiva de eliminar o problema.

Já o sindicato quer que a administração do aeroporto considere usar exclusivamente o Terminal 5, que antes era o aeroporto de Schönefeld, até que o problema seja resolvido pela substituição das máquinas de raio-x.

“O antigo aeroporto tem bastante capacidade disponível”, disse Roscher. A Flughafen Berlin Brandenburg GmbH (FBB), que opera o aeroporto, disse que não está considerando um fechamento temporário. “A FBB acredita que tais incidentes podem ser evitados no futuro, desse que seguidos os procedimentos apropriados e tomando precauções ao realizar verificações de segurança”, disse o aeroporto, em nota ao Berliner Zeitung.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

Veja outras histórias

Próximo grande Antonov a vir a Belém já passou por 9...

0
Se o gigante Antonov AN-124 é mundialmente conhecido pela alta capacidade de carga, o mesmo não pode se dizer de seu alcance em voo.