Veja como o coronavírus se espalha em um avião e o lugar mais seguro para se sentar

Estar em um ambiente fechado com mais dezenas de pessoas pode ser uma experiência bastante tensa em tempos de coronavírus. E pior ainda quando o voo tem como procedência a China Continental, onde começou o surto que agora se espalha por mais de 15 países. Nesse cenário, será que há um lugar mais seguro dentro do avião?

Se você já espirrou ou se afastou de um amigo que estava tossindo, então você já sabe o básico de como uma grande parte das doenças respiratórias se espalham. Sabemos que, quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, ela derrama gotas de saliva, muco ou outros fluidos corporais. Se alguma dessas gotas cair sobre você – ou se você tocá-las e, digamos, tocar seu rosto -, também poderá ser infectado.

Além disso, as doenças respiratórias também podem se espalhar pelas superfícies sobre as quais as gotículas caem – como assentos de avião e mesas de bandeja. Quanto tempo essas gotículas duram depende tanto dela quanto da superfície. O ‘tempo de vida’ dos vírus podem variar drasticamente, de horas a meses.

E são justamente esses os elementos que você encontra dentro de um avião.

O que é contato dentro do avião?

Organização Mundial da Saúde define que o contato com uma pessoa infectada se resume a estar sentado num raio de duas fileiras dela. Entretanto, lembremo-nos que as pessoas não se sentam apenas durante os voos, principalmente os que duram mais de algumas horas. Elas vão ao banheiro, esticam as pernas e pegam pertences pessoais das caixas suspensas. 

Baseado nesses movimentos, uma equipe de pesquisadores em saúde pública decidiu calcular a probabilidade de infecção dos passageiros, e os resultados são bastante interessantes, conforme publicado pelo NatGeo.

A “Equipe de Pesquisa FlyHealthy” observou o comportamento de passageiros e tripulantes em 10 voos transcontinentais de cerca de três horas e meia a cinco horas. Eles não apenas analisaram como as pessoas se moviam na cabine, mas também como isso afetava o número e a duração de seus contatos com outras pessoas. A equipe queria estimar quantos encontros poderiam permitir a transmissão durante voos transcontinentais.

Como o estudo revelou em 2018, a maioria dos passageiros deixou o assento em algum momento – geralmente para usar o banheiro ou checar os compartimentos superiores – durante esses voos de médio curso. No geral, 38% dos passageiros deixaram seus lugares uma vez e 24% mais de uma vez. Outros 38% das pessoas permaneceram em seus assentos durante todo o voo.

Essa atividade ajuda a identificar os lugares mais seguros para se sentar. Os passageiros com menor probabilidade de se levantar estavam em assentos nas janelas: apenas 43% se movimentavam, contra 80% das pessoas sentadas no corredor.

Consequentemente, os passageiros dos assentos nas janelas tiveram muito menos encontros do que as pessoas em outros assentos, com média de 12 contatos em comparação com os 58 e 64 contatos dos passageiros nos assentos do meio e do corredor, respectivamente.

Veja como ficaram os infográficos:

coronavírus

Escolha a janela

A escolha de um assento na janela e a permanência no local reduzem claramente a probabilidade de entrar em contato com uma doença infecciosa. Mas, como você pode ver no gráfico acima, o modelo da equipe mostra que os passageiros nos assentos do meio e do corredor – mesmo aqueles que estão dentro da faixa de dois assentos da OMS – têm uma probabilidade relativamente baixa de serem infectados.

Os estudiosos dizem que é porque a maioria dos contato em aviões é relativamente curta. “Se você estiver sentado em um corredor, certamente haverá muitas pessoas passando por você, mas elas se moverão rapidamente”, diz o estudo. “Em conjunto, o que mostramos é que há uma probabilidade muito baixa de transmissão para qualquer passageiro em particular”.

A história muda se a pessoa doente é um membro da tripulação. Como os comissários de bordo passam muito mais tempo andando pelo corredor e interagindo com os passageiros, é mais provável que tenham encontros adicionais e mais longos. Como o estudo afirmou, um membro da tripulação doente tem uma probabilidade de infectar 4,6 passageiros, “portanto, é imperativo que os comissários de bordo não voem quando estão doentes”.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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