Veja as companhias aéreas que mais receberam ajuda de seus governos

Um comandante de Airbus montou um gráfico com as companhias aéreas que mais receberam ajuda de seus governos e quais países mais ajudaram suas empresas aéreas.

Foto – Lufthansa

O gráfico foi elaborado por Samy M’Seffar, Comandante de Airbus A330 na canadense Air Transat. Ele faz parte de um grupo no Facebook chamado “Aviation workers made redundant in Canada by the COVID-19 crisis” que reúne trabalhadores da aviação que foram afastados ou demitidos no Canadá durante a Pandemia.

A análise reúne apoio de diversas pessoas, de pilotos à comissários, despachantes, agentes de atendimento ao cliente. O principal objetivo é protestar diante o governo canadense, pela falta de ajuda para o setor, e foi daí que surgiu o gráfico.

M’Seffar reuniu diversas fontes confiáveis e renomadas da aviação como a FlightGlobal e Bloomberg (todas as fontes estão no link mais abaixo). Após isto ele compilou os dados e montou um gráfico da maior para a menor ajuda (linhas de crédito ou subsídios governamentais), citando também o país:

Gráfico por Samy M’Seffar‎

Na frente está a alemã Lufthansa, com pouco mais de $10 bilhões de dólares, seguida pela Singapore Airlines com $9 bilhões. Estas duas empresas sempre foram exemplos de administração, e a última nunca registrou prejuízo até este ano.

Depois vem a Air France com pouco menos de $8 bi, seguido das três grandes americanas: a American, United e Delta, com algo em torno de $5 bilhões de dólares cada. Vale destacar que os EUA foram os que mais ajudaram suas empresas aéreas, dado o tamanho da economia do país e por ter o maior número de companhias.

Outros destaques ficam por conta da Cathay Pacific que recebeu em torno de $4 bilhões do governo de Hong Kong, seguidas da holandesa KLM e da japonesa ANA.

As companhias brasileiras ficam em 24º lugar, mas com ressalvas. O valor citado é individual e baseado na oferta que a Azul recebeu de R$2 bilhões de dólares (em torno de $370 milhões de dólares), considerando que a GOL receba a mesma oferta, e que a LATAM seja qualificável para a ajuda. Assim como no mundo a fora, tem empresas que irão receber mais dado a proporcionalidade do seu tamanho. No caso do Brasil, a divisão nacional da LATAM não é listada na bolsa, o que tem complicado parte do financiamento.

Outro ponto que já foi levantado, na Holanda existe a garantia que o dinheiro não vá para a matriz em outro país. No caso, o governo holandês exigiu que o dinheiro fosse só pra KLM, e não para a Air France que é controladora do grupo Air France-KLM. O temor existe no Brasil, que não quer que o dinheiro vá para o Chile, sede da LATAM.

Falta de ajuda no Canadá é motivo de protesto

Foto Air Canada

Mas o que chama atenção, e foi o motivo do Comandante Samy ter feito o gráfico é a falta de ajuda do Canadá.

Diversos protestos já foram organizados pelo grupo do Facebook. Pessoas do setor da aviação do Canadá afirmam que a única tentativa de ajuda do governo local foi uma oferta de $100 a $200 milhões de dólares por companhia aérea, a depender do tamanho da empresa. Porém, este valor é muito baixo, bem menor que o do Brasil, mesmo com a situação econômica e o real desvalorizado, mas ainda assim bem acima do que o Canadá teria proposto.

O Primeiro-Ministro canadense, Justin Trudeau, tem afirmado que está negociando o pacote, mas nenhum valor foi anunciado oficialmente até hoje e nos bastidores as empresas aéreas já teriam desistido da ajuda do governo, que sempre teve um perfil mais assistencialista.

Você pode conferir a publicação original do Comandante Samy com todas as referências dos dados do gráfico clicando aqui.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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