Venda de Gasolina de Aviação é suspensa em todo país e ANAC divulga atualização

Piper Archer Gasolina Aviação
Aviões Archer da Universidade da Dakota do Norte © Piper Aircraft

Após diversos casos de corrosão em aeronaves causadas por combustível adulterado, as distribuidoras de gasolina de aviação no Brasil suspenderam a comercialização do produto.

A notícia vem após a Petrobrás informar que interrompeu a venda da Gasolina de Aviação (AVGAS), utilizado por aviões e helicópteros de pequeno porte com motores a pistão, para todos os três distribuidores do produto no país.

Logo após, em nota, a BR Distribuidora (BR Aviation), a Raízen (Shell Aviation) e a British Petroleum (Air BP) informaram que suspenderam preventivamente a comercialização de AVGAS em todas suas unidades.

A Raízen informa que decidiu suspender, de forma preventiva, a comercialização de Gasolina de Aviação (AVGAS), assim como recomendou a todos os seus revendedores a suspensão da comercialização do combustível

De acordo com o que foi comunicado pela Petrobras no dia 11 de julho, a companhia, única fornecedora de AVGAS da Raízen, identificou um lote importado com teor de compostos aromáticos diferente dos lotes até então importados ainda que dentro das especificações da ANP, e que estuda a hipótese da variação química ter impactado os materiais de vedação e revestimento de tanques de combustíveis de aeronaves de pequeno porte. 

A Raízen reforça que está em contato constante com a Petrobras para obter mais informações sobre o caso e alternativas para novos suprimentos.

Sendo assim não está sendo mais comercializado combustível para distribuidoras e nos próximos dias não será possível adquirir gasolina de aviação no Brasil, caso a situação continue a mesma.

Vale lembrar que aviões turboélices, maioria dos helicópteros e os jatos comerciais não utilizam de gasolina de aviação, mas sim de querosene de aviação.

ANAC Divulga Atualização

C182 Skylane da Cessna © Textron Aviation

Desde o recebimento das primeiras denúncias, a ANAC iniciou imediatamente um grupo de trabalho para acompanhamento da possível contaminação da AVGAS. Como primeira medida, a ANAC comunicou a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), da Aeronáutica, além de solicitados os reportes dos operadores de aeronaves que identificaram problemas em suas aeronaves. 

Todo esse trabalho de mapeamento de riscos para a aviação geral vem sendo feito em estreita parceria com a Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (AOPA) e com outros grupos do setor ligados à segurança operacional. Até o momento, cerca de 67 relatos foram encaminhados à Agência.

A ANAC também aguarda os resultados da investigação da ANP e as ações das distribuidoras de combustível para identificação de causas e extensão da possível contaminação de alguns lotes de gasolina de aviação. Na última semana, técnicos da ANAC acompanharam a ANP nas coletas de amostras feitas em alguns aeroportos e a ANAC vem monitorando a pronta avaliação da situação pelas entidades do setor de combustível. Cabe ressaltar que a AVGAS só é utilizada em aeronaves da aviação geral de menor porte (mono ou bimotor), não afetando as aeronaves de maior porte que atendem voos regulares de passageiros. Atualmente, são cerca de 12 mil aeronaves com esse tipo de abastecimento. 

Com as informações recebidas da comunidade aeronáutica, e após os resultados da avaliação que vem sendo feita pela ANP, a ANAC poderá recorrer a novas medidas cautelares e emergenciais, sempre em prol da segurança do setor. Neste momento, é necessária extrema cautela de cada operador e a Agência está mobilizada em torno da questão para apoiar os operadores de aeronaves e aeroportos.  

Nos últimos dias foram emitidas diversas recomendações ao setor para que os riscos possam ser mitigados:

  • Recomendação de que operadores aeroportuários entrem em contato com seus fornecedores de AVGAS para mais informações e identificação do lote suspeito e, em caso de identificação positiva, suspendam imediatamente o uso. 
  • Aos proprietários e operadores de aeronaves, a recomendação é para que façam antes de cada voo uma inspeção visual dos componentes e, caso identifiquem quaisquer indícios de corrosão ou ressecamento de componentes, não voem com aquela aeronave, relatem imediatamente à Agência e  procurem uma organização de manutenção de produto aeronáutico para que sejam tomadas as medidas preventivas ou corretivas adequadas. Acesse o formulário para reporte no endereço https://forms.gle/75CFhpoBzq1Gw4X97.
  • Ao receber esse tipo de caso, as oficinas de manutenção aeronáutica devem reportar tempestivamente ao Sistema de Dificuldade em Serviço (SDR) da ANAC.

Com informações das Assessorias de Imprensa da Petrobrás, BR Distribuidora, AirBP e ANAC

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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