Vídeo de A350-1000 resulta em belo registro de fenômeno nos motores e asas

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Felizmente para nós que admiramos a aviação, pessoas com a privilegiada oportunidade de ver lindas decolagens de dentro da área operacional dos aeroportos gravam e compartilham vídeos de sua experiência, e nós aqui no AEROIN sempre fazemos questão de trazer a você, leitor, cada belo registro que tomamos conhecimento.

O vídeo acima foi gravado em um dos mais movimentados aeroportos do mundo, o de Los Angeles, nos Estados Unidos, e mostra a decolagem de um Airbus A350-1000 da companhia aérea árabe Qatar Airways. O modelo é o maior bimotor já fabricado pela Airbus, com 73,79 metros de comprimento (a título de comparação, o Boeing 777X, maior bimotor do mundo, tem 76,73).

A partida de jato, já muito bonita pelas próprias linhas aerodinâmicas modernas do avião, ainda reservou um toque especial a mais em função da condição meteorológica. Com a alta umidade presente no ar naquele dia, a gravação mostra uma bela e intensa ocorrência de condensação na entrada dos motores e sobre as asas. É como se temporariamente se formassem nuvens.

O fenômeno é resultado da baixa pressão presente nos dois locais. Pressões mais baixas levam a um aumento da temperatura de condensação da água, portanto, se a umidade condensaria, por exemplo, a 5ºC, a redução da pressão faz essa umidade agora condensar, por exemplo, a 15ºC. Assim, a condensação acaba acontecendo mesmo sem a temperatura tão baixa de 5ºC (note que estes valores de temperatura foram aleatoriamente escolhidos apenas para exemplificar).

No bocal do motor, a condensação se dá pela aplicação de alta potência, porque o aumento do giro do propulsor gera uma pressão muito baixa para sugar um grande volume de ar, causando o efeito descrito no parágrafo anterior.

Sobre as asas, o princípio é o mesmo, embora gerado de outra forma. A asa é construída com uma forma que, ao receber o escoamento do ar em alta velocidade, gera alta pressão na superfície inferior e baixa pressão na superfície superior, para que essa diferença “empurre” a asa para cima. Assim, a baixa pressão da parte de cima leva à condensação da umidade.

O fenômeno é sempre muito bonito de se ver, principalmente porque variações na pressão e umidade geram uma espécie de “dança” de aparecimento e desaparecimento da condensação.

Veja a seguir outro exemplo de situação de condensação na entrada do motor, dessa vez no bocal superior de um MD-11F ao aplicar potência para atuação do reverso durante o pouso.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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