Virgin lança plano de expansão com 84 novas rotas, mas só tem um problema

Avião Boeing 747 Virgin

A Virgin Atlantic acaba de apresentar uma visão fascinante para o futuro, que poderia fazer com que a companhia aérea passasse de seus 19 atuais para 103 destinos globais. É isso mesmo, a companhia aérea deseja adicionar 84 novas rotas. Mas há quem diga que o objetivo da Virgin é mais político do que totalmente realista.

Aposta na terceira da pista de Heathrow

O aeroporto de Heathrow está muito próximo de sua capacidade total e há anos se fala sobre a possibilidade de construção de uma terceira pista. Embora isso possa mudar, atualmente o plano é que o aeroporto possa ter uma terceira pista até 2026, um plano um tanto ambicioso.

Se isso acontecer, o plano é que o aeroporto continue a expandir a capacidade em etapas, com o objetivo de ter uma capacidade de 150 milhões de passageiros por ano. Com uma terceira pista, poderíamos ter 700 voos extras por dia no aeroporto mais movimentado do Reino Unido.

De um modo geral, ambientalistas e moradores da área são contra a terceira pista. Da mesma forma, a British Airways é contra. A IAG (empresa controladora da BA) controla cerca da metade da capacidade de entrada e saída de Heathrow, o que lhes proporciona grande poder de precificação. Slots adicionais se traduzem em concorrência adicional e tarifas mais baixas, algo que a British Airways definitivamente não deseja.

Por outro lado, a maioria das outras companhias aéreas são a favor da expansão de Heathrow, pois isso lhes daria muito mais acesso ao mercado.

Virgin Atlantic First A350-1000

Onde a Virgin quer chegar

A Virgin Atlantic acaba de compartilhar sua visão ousada para o futuro, o que os levaria a competir com a British Airways em nível global.

Obviamente, a Virgin Atlantic está tentando criar um argumento convincente para que eles recebam muitos slots com a construção da terceira pista. Como CEO da Virgin Atlantic, Shai Weiss descreve os planos para a companhia aérea:

“A necessidade de concorrência e escolha efetivas no aeroporto de Heathrow nunca foi tão evidente quanto durante este verão cheio de perturbações, o que trouxe problema e transtorno para dezenas de milhares de viajantes (com as greves). A Grã-Bretanha e aqueles que viajam para ela merecem mais do que isso. Os passageiros aéreos precisam de uma escolha e a Virgin Atlantic está pronta para entrega-la quando Heathrow expandir.

Os 84 novos destinos

A Virgin Atlantic deseja adicionar 84 novos destinos no Reino Unido, Europa e em todo o mundo, além dos atuais 19 destinos de longo curso, todos partindo de Londres. Desses, 12 seriam domésticos, 37 europeus e 35 seriam globais, inclusive para Fortaleza, Santiago e Buenos Aires.

Aqui está uma tabela mostrando os destinos aos quais eles pretendem adicionar serviços, no final desse artigo você encontra um mapa de rotas internacionais desejadas. Destaque para Fortaleza, no Nordeste do Brasil, citada pela empresa pela primeira vez.

O plano funciona?

Certamente, há um elemento em tudo isso que faz você pensar se os executivos da Virgin Atlantic perderam a cabeça. Afinal, não é sempre que você vê uma companhia aérea global estabelecida dizer “queremos apenas quadruplicar o tamanho em sete anos”. Obviamente, há muita logística no caminho e a companhia aérea teria que pedir dezenas de aviões para fazer essas rotas funcionarem.

A Virgin Atlantic é um tanto séria e quer criar uma justificativa para o valor para os viajantes em ter uma segunda transportadora de “bandeira” no Reino Unido. Esse anúncio certamente prova esse ponto e mostra uma imagem do que poderia ser.

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No entanto, até eles devem acreditar que isso é altamente improvável. Heathrow é um aeroporto restrito às faixas horárias (não há voos entre 23h e 5h), e as faixas horárias são muito caras. 

Embora o custo por slot obviamente caia se uma terceira pista for construída (oferta e demanda simples), o custo da Virgin Atlantic para adquirir todos esses slots será sem dúvida proibitivamente caro, então eles terão que escolher as rotas a dedo. E ganhar slots de graça em Londres, nem pensar!

E aqui está o centro da questão. A Virgin, na verdade, quer pressionar as autoridades a mudar a regra de concessão de slots de Heathrow, um aeroporto extremamente restrito. A companhia entende que esse domínio da IAG prejudica todo o mercado e que mais concorrência geraria mais oportunidades. A Virgin quer crescer, mas talvez não na velocidade que ela mesma divulgou hoje.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.