Vizinhos de aeroporto acusam nova pista de prejudicar a saúde de 50 mil crianças

Inauguração da nova pista do Aeroporto de Brisbane em julho de 2020. Divulgação BAC

Uma ação promovida por uma organização de moradores do entorno do aeroporto de Brisbane, na Austrália, acusa a recém-inaugurada segunda pista e decolagens do aeroporto como a responsável por prejudicar o aprendizado escolar de crianças da região. De acordo com o manifesto, 50 mil estudantes das escolas da localidade estão sendo afetadas pela ampliação do aeroporto.

A Brisbane Flight Path Community Alliance (BFPCA) é uma organização não governamental que reúne associações de moradores críticas à nova pista do aeroporto, que alterou a rampa de aproximação e o curso das decolagens de parte dos voos. Em seu site oficial, a ONG diz que, desde que a nova pista se tornou operacional em julho de 2020, houve um aumento severo na poluição sonora e, consequentemente, nos impactos na saúde de milhares de pessoas em muitas comunidades de Brisbane.

A ONG montou um relatório para ser apresentado às autoridades públicas em que sobrepôs as rotas de voo sobre os mapas da cidade para deduzir que 50 escolas agora são afetadas pelo ruído, o que totaliza uma população estudantil de mais de 50.000 alunos. A organização utilizou dados publicados pela revista científica The Lancet que dizem que o ruído prejudica a cognição e a saúde das crianças.

Relatório montado por organização de moradores mostra rotas aéreas sobre escolas em Brisbane. IMAGEM: BFPCA

Poluição sonora

Em um manifesto à imprensa, a BFPCA alega ter reunido “dados devastadores” que evidenciam que milhares de alunos de escolas em toda a capital do estado de Queensland, no nordeste do país, estão prejudicadas devido à “poluição sonora excessiva”. O documento também considera evidências da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) de que o ruído das aeronaves prejudica a leitura e a memória das crianças, bem como os resultados em testes acadêmicos.

A organização denuncia que o problema foi subestimado pela Brisbane Airport Corporation (BAC), empresa responsável pela operação do aeroporto e construção da pista. De acordo com dados divulgados no Relatório de Impacto Ambiental da obra, a BAC informa que apenas nove escolas estariam “sujeitas a interferências” devido ao ruído operacional.

O presidente da BFPCA, David Diamond, diz que a estimativa da BAC é mais que um erro grosseiro, e que não “arranha sequer a superfície” da verdadeira magnitude do problema. “É muito pior do que pensávamos. Sabíamos que a estimativa do BAC de nove escolas afetadas não estava nem perto do número real de escolas sob as rotas de voo, mas isso não chega nem perto da realidade, já que temos sido muito conservadores em nossas estimativas e ainda não incluímos outros grupos vulneráveis, como idosos, vilas de aposentados e hospitais”, disse ele, no posicionamento oficial.

Diamond também mostra preocupação com o crescimento da movimentação. “À medida que o aeroporto atinge sua capacidade pré-COVID, haverá a duplicação da frequência de voos. Agora, com a capacidade adicional da segunda pista, o BAC pode aumentar os voos de passageiros e carga para até 110 por hora, portanto, não haverá trégua para professores ou alunos”.

A agência Airservices Austrália tem negado repetidamente que a novas rotas de voo proporcionadas pela ampliação do Aeroporto de Brisbane tenham piorado o barulho. A reguladora informa que tem se envolvido ativamente com a comunidade e que apenas 0,1% das aeronaves que decolam da nova pista sobrevoam os subúrbios da cidade à noite. A maioria foi direcionada para sobrevoar o mar, quando possível.

Batismo da 1ª aeronave a decolar durante inauguração da nova pista do aeroporto. IMAGEM: Divulgação BAC
Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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