Voando na Executiva do Boeing 777 da SWISS

FLIGHT REPORT

Embarque conosco no voo entre Zurique e São Paulo na Business Class do Boeing 777-300ER da SWISS International Airlines. Uma experiência única com a tradição suíça de pontualidade e qualidade.

A minha viagem com a SWISS começou em Amsterdã dias atrás. O meu planejamento inicial era apenas retornar para o Brasil com a companhia suíça após um festival de música eletrônica. Porém o voo de Zurique para São Paulo não é operado nas terças-feiras, e sim nas quartas-feiras quando conta com duas frequências: uma na manhã e outra à noite. Nos outros dias o voo noturno se mantém.

Tendo em vista essa necessidade de atrasar a volta e a vontade de conhecer a Suíça de verdade, decidi optar pela tarifa Stopover que é gratuita no grupo Lufthansa (também utilizei na minha ida via Frankfurt).

Esta tarifa permite que o passageiro fique alguns dias na cidade/país de conexão para depois embarcar para o destino final. Escolhi ficar 3 dias na Suíça viajando para a belíssima cidade de Interlaken, a meca dos esportes de inverno do país e também sede da corria de esqui de Lauberhorn que em 2017 recebeu um sobrevoo do Airbus A220 da SWISS com os F-5E Tiger II da Patrouille Suisse.

O primeiro trecho intra-europeu foi curto e praticamente noturno. O destaque fica para o voo de volta ao Brasil, que você acompanha aabaixo. Porém, antes convido você a acompanhar um pequeno relato sobre a infraestrutura do Aeroporto de Zurique, clicando na seta a seguir.

O Flughafen Zürich

O acesso ao Aeroporto de Zurique é bastante facilitado: existem ônibus para os bairros próximos, mas a principal via é o trem que conecta com a Zurich Hauptbahnhof, a estação central da cidade. Os trens são operados pela ferrovia federal SBB CFF FFS e muitas vezes passam na estação central apenas como uma escala para outra cidade como Berna ou Basel. Isso facilita o deslocamento de quem está viajando pelo interior da Suíça, pois não precisa trocar de trens em Zurique para chegar ao aeroporto.

A estação se localiza no subsolo do aeroporto e conta com 4 plataformas. Os trens são extremamente pontuais permitindo conexões curtas de até 7 minutos, algo impensável na aviação comercial. Para evitar qualquer transtorno e também poder curtir o aeroporto, cheguei às 16h, bem antes do horário do voo.

Na ocasião eu ainda estava na classe econômica, mas iria tentar um upgrade utilizando meu status na Star Alliance. Fui diretamente ao check-in da Business, que estava vazio assim como os das outras classes.

Check-in exclusivo da Business

No ato do check-in fui informado que seria colocado na lista para upgrade, mas que devido ao voo estar lotado (pré-carnaval) não seria possível confirmação no momento e nem acesso à sala VIP. Uma pena. Por outro lado a minha bagagem ainda teria tratamento prioritário e eu poderia utilizar as filas dedicadas para a classe Executiva.

Check-in realizado, me dirigi à sala de embarque. Assim como acontece na maioria dos aeroportos europeus, os passageiros viajando nas classes executiva, primeira ou com status Star Alliance Gold têm o direito ao Gold Track com fila exclusiva para segurança e imigração. O processo de segurança foi rápido, em torno de 7 minutos. Após isso eu tive acesso ao terminal A/B, exclusivo para voos dentro da área do acordo de Schengen.

Como meu destino era o Brasil, o voo partiria do terminal remoto E, acessível pelo trem subterrâneo chamado SkyMetro.

Vista aérea do Aeroporto: terminal E remoto mais ao topo

Pouco antes da plataforma do trem existem as cabines de imigração, que estavam sem fila. O trajeto subterrâneo demora pouco mais de 2 minutos e conta com divulgação da cultura suíça através de telões colocados nas paredes do túnel.

O terminal E possui 23 pontes e é bem compacto. Peca no terminal a falta de opções de alimentação e até mesmo Duty Free (a do terminal A/B é claramente maior). Por outro lado, assim como no terminal B, o E possui um terraço, que é um dos grandes pontos do Aeroporto de Zurique (em total contraste com o BH Airport em Confins da mesma administradora, a Zurich Airports).

Terraço do terminal B

O terraço do terminal B é acessível por quem não está viajando, mediante taxa de $5 francos suíços para adultos, $2 para idade entre 10 e 16 anos, e menores de 10 não pagam. Também não paga quem possuir um cartão de embarque com destino ou partida em Zurique. Já o terraço do terminal E é apenas acessível para quem vai embarcar em voos fora da área Schengen, veja abaixo as visões que eles proporcionam.

Decolagem da pista 16 vista do terraço do terminal B
Táxi visto do terraço do Terminal B
Vista geral do terraço do terminal E

Voltando ao Brasil no Triple Seven

O voo estava com partida prevista para 22h40 e embarque às 22h15. Em torno de 22h os passageiros foram convidados para o cheque de documentação para agilizar o processo de embarque. Novamente existia uma fila Gold Track que pude utilizá-la. Neste momento foi confirmado meu upgrade para a Business Class, meu assento seria o 15G.

Visão da primeira seção da Business da SWISS

Pontualmente às 22h15 o embarque foi iniciado, sendo primeiramente os clientes da First Class, seguidos por clientes do programa fidelidade Miles & More da categoria HON Circle, e logo após o meu grupo com os clientes Star Alliance Gold e Business Class. Sem pressa fui o último da classe executiva a embarcar.

A aeronave que nos levou nesta jornada foi o HB-JNH, entregue em março de 2017 ainda mantendo a aparência de novo.

Embarcamos pela segunda porta da aeronave. Logo ao entrar temos à nossa esquerda a primeira classe e duas fileiras da classe executiva, e à direita o restante da classe executiva e a econômica. Logo após entrar um dos comissários me ofereceu uma bebida de boas vindas. As opções eram água, suco de laranja ou champagne. Optei pela primeira.

Ao chegar no meu assento está tudo pronto: travesseiro, cobertor, fones de ouvido e nécessaire. A executiva da Swiss no 777 é disposta de fileiras em 1-2-1 intercalando com uma em 2-2-2. Estava na fileira 15 com a disposição 1-2-1, sendo meu assento era do corredor da direita, mas o assento ao meu lado estava vazio.

Nécessaire e seus itens

A nécessaire da classe executiva da Swiss é feita pela Victorinox, criadora do autêntico canivete suíço. É feita na cor cinza chumbo e muito bonita, possuindo uma alça emborrachada e no seu interior um compartimento com rede. O conteúdo da nécessaire é bem simples para uma executiva: par de meias vermelhas, escova e pasta de dente, creme labial, protetor auricular e vendas para dormir, nada de mais.

O assento é bem confortável e vira uma cama ao reclinar 180º. A tela é de 16 polegadas e no descanso de braço da esquerda tenho acesso a um gamepad. Ele lembra bastante o Sony PSP porém roda com sistema Android, e serve como controle da tela. Também é possível assistir filme nele, que é touchscreen.

Próximo dele existe um cabide para paletó, que pode ser colocado próximo à tela ou guardado numa espécie de “chapelaria” próxima às galleys. Apesar do comissário ter oferecido levar o meu casaco, preferi colocar ele no bagageiro acima que ficou só para mim. Existem diversos mini compartimentos, entre eles um logo abaixo da tela LCD, ideal para colocar documentos. Um outro próximo à base da cama serviu perfeitamente para meu par de sapatos.

O fone fornecido continha apenas a logotipo da SWISS mas possuía tecnologia de isolamento de ruído e tinha uma qualidade de som muito boa, lembrando um pouco do Bose QuietComfort 25.

Após me acomodar no assento o menu foi me apresentado. Teríamos três opções de prato principal além da entrada e sobremesa. A escolha seria feita logo após a nossa decolagem, que foi feita pontualmente às 22h40. Os poderosos GE90 do Boeing 777-300ER fizeram a cabine tremer um pouco no sentido horizontal, o que pra mim é algo empolgante mas pode assustar um pouco passageiros inexperientes.

O menu de entrada seria um Terrine de iogurte e creme azedo com camarões, servido com carpaccio de pepino, azeitonas Taggiasca e vinagrete de limão. Acompanhava salada e molho balsâmico.

Entrada

Para o Prato Principal, as opções eram:

  • Filé de peito bovino assado com molho e purê de cherívia com tubérculos;
  • Peito de frango com manteiga de conetro, molho de feijão preto, batatas hasselback, cenouras com gengibre e castanha de caju;
  • Canelone de espinafre e ricota.

Para a Sobremesa, torta fatiada de noutgat com avelãs tostadas e laranja marinada, além de chocolates suíços.

Escolhi o filé de peito bovino. Logo após a minha escolha o comissário perguntou qual seria meu Welcome Drink. Escolhi Gin Tônica, que foi feita com a tradicional Schweeps, Limão e gin Bombay Sapphire. Logo após a bebida foi servida a entrada.

Welcome Drink

O terrine estava delicioso e bem consistente, o camarão estava bom, mas só tinha um. Não provei a salada por não fazer parte da minha dieta, mas parecia boa apesar de simples.

Ao tempo de terminar a entrada foi-me servido o filé de peito bovino, em uma quantidade até generosa comparada com outras aéreas. A carne estava no ponto e tinha uma quantidade ideal de gordura para o paladar brasileiro. O purê estava fora de série mas pecou na quantidade. Os legumes cozidos estavam bons.

Prato Principal

Satisfeito com o prato principal, era a hora da sobremesa. A torta fatiada de nougat com algumas avelãs tostadas em cima, acompanhada de uma variedade de chocolates suíços servidos em bandejas o qual o passageiro poderia escolher livremente qual pegar. Juntamente com os chocolates solicitei mais um drink de gin tônica.

Sobremesa

Finalizando as refeições decidi navegar pelo sistema de entretenimento, que contava com um catalogo bem atualizado mas não tão extenso, sendo o mesmo da classe econômica. Escolhi por Han Solo – Uma Aventura Star Wars. A grande tela em Full HD é de um tamanho ideal para a distância do assento, mesmo na posição cama. Porém parece haver uma certa perda de resolução em filmes.

Após o fim do filme a maioria dos passageiros já estava dormindo e eu decidi seguir o trem. Não é difícil dormir no assento, que tem a posição de massagem também, gerando ondulações ao “mudar” a densidade da espuma. Eu com meus 1,82m me senti confortável, porém qualquer pessoa acima dos 1,90 teria que dobrar os joelhos.

Faltando duas horas para chegar em São Paulo o sistemas de luzes do Boeing foi despertando os passageiros com uma luz laranja. Prontamente o Café da Manhã seria servido: uma vasta seleção de pães, queijos e bebidas estava à disposição do passageiro. Optei por um croissant, fatias de pão, queijo suíço meia cura, café e suco de laranja. Acabei por repetir depois.

Café da Manhã

Faltando meia hora para o nosso pouso foram distribuídas toalhas quentes e fomos informados que o tempo na capital paulista era chuvoso mas os pousos ocorriam normalmente.

Pousamos em São Paulo 10 minutos antes do previsto, mas o Boeing 747-8i da Lufthansa estava ocupando a nossa posição de parada, sendo necessário aguardar um pouco na taxiway, o que resultou na chegada exatamente no horário previsto: 06h45.

Avaliação Final

Reserva: Feita sem nenhum problema no próprio site da SWISS Stopover.

Check-In: Vazio mas não pude avaliar completamente por ter chegado muito antes do voo, porém em um horário com bastante voos intercontinentais.

Embarque: Rápido e conferiram as filas para ver se as pessoas estavam no lugar certo.

Assento: Bastante confortável e não é apertado nas laterais. Só faltou uma simples persiana para dar maior privacidade em relação ao assento ao lado. Não enfrentei esse problema pelo assento vago ao lado mas vi que poderia me incomodar em um voo mais cheio.

Entretenimento: Tela de LCD tem uma proporção boa. O catálogo poderia ser mais extenso porém agradou na variedade de conteúdo em português.

Serviços dos comissários: A quantidade de comissários na Executiva agradou. Foi uma média de um para cada três passageiros, sempre tratando pelo nome e oferecendo opções caso algo não agradasse.

Refeições: Comida muito saborosa e em boa quantidade. Único defeito foi não ter uma maior variedade no café da manhã.

Bebidas: Foram sete tipo diferentes de vinho de origem suíça, francesa, chilena e australiana. Outras bebidas alcoólicas eram a cerveja alemã, vodca, gin, espumante e uísque. Já as opções sem álcool incluíam sucos, refrigerantes, chás, café e leite.

Necessaire: Muito bonita porém com poucos itens.

Pontualidade:  Assim como nos trens e ônibus, os suíços fazem questão de ser pontuais no voo e serem tão precisos quanto seus relógios. Não tive nenhuma preocupação com atraso e inclusive consegui pegar uma conexão doméstica depois, que estava em outro bilhete separado.

Nota Final: 8,9

Após a saída da Singapore Airlines do Brasil em 2016 o mercado premium para a Europa (em voos diretos) ficou com certa carência. A SWISS consegue hoje atender essa demanda com o novo Boeing 777.

Provavelmente é a melhor opção de executiva para a Europa, dado que os outros concorrentes e a própria irmã Lufthansa possuem um excelente serviço mas com uma cabine um pouco mais antiga. Alguns pontos precisam ser melhorados mas o custo-benefício é muito bom.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos