Como foi voar no turboélice ATR-72 da VOEPASS em plena Ponte Aérea

Com as obras em Congonhas pelos próximos 32 dias, a operação da tradicional ligação entre Congonhas e Santos Dumont ficou restrita a aeronaves turboélices. Com isso, a empresa VOEPASS Linhas Aéreas alocou parte de sua frota de ATR-72 para esse serviço, o que vem dando muito certo, com voos cheios.

Engana-se, porém, quem pensa que trata-se de uma viagem ao passado, uma vez que ATRs são aeronaves modernas, seguras, versáteis.

Primeira vez da VOEPASS

Para colocar em contexto, a VOEPASS é a junção das marcas Passaredo Linhas Aéreas, sediada de Ribeirão Preto, com a MAP Linhas Aéreas, de Manaus. As duas empresas regionais uniram forças, após a Passaredo comprar a MAP, em meados de 2019. Porém, essa é a primeira vez que a empresa opera entre Congonhas e Santos Dumont, aproveitando da boa performance do turboélice ATR 72-600 em pistas curtas.

Embarcamos no segundo dia de operações, 6 de agosto, no ATR-72 de matrícula PR-PDO. O voo era o 2224, que vem de Ribeirão Preto com outra numeração, e a mesma aeronave continua para o Santos Dumont.

Embora o check-in não estivesse disponível online, o procedimento no balcão VOEPASS foi rápido. Foi estranho, no entanto, ver o aeroporto de Congonhas vazio, como consequência do fechamento da pista principal e da pandemia. De longe, era possível identificar o check-in da empresa, pois era o único com uma pequena fila.

Check-in feito, subi para a sala de embarque e não enfrentei nenhuma fila até chegar ao portão, como esperado. Pelo fato do ATR ter escada traseira, o embarque é feito por ônibus, que dá uma “voltinha” pelo aeroporto para chegar no avião, o qual tem usado as posições próximas das pontes de embarque.

Fui até o meu assento, 1A, bem espaçoso por ser uma saída de emergência. Portas fechadas no horário, mas nada do avião ser empurrado para a taxiway. O motivo, acredite, era o tráfego aéreo.

Mesmo com o aeroporto praticamente parado devido à pandemia e às obras na pista, os tempos de táxi estão longos. E o motivo é a própria obra: ao pousar pela cabeceira 17L (próximo a Av. Washington Luís), o avião só para totalmente e livra a pista próximo da cabeceira oposta, a 35R.

Da 35R os acessos para o pátio principal passam pela pista principal, que está fechada. Com isto todos os aviões têm que fazer o backtrack (curva de 180º) ao final da pista, para retornar pela própria pista que pousou, sair no fim da 17L, para então ter acesso ao pátio do terminal de passageiros.

Com isso, tivemos 20 minutos de atraso na partida, compensados em rota, como veremos mais a frente neste relato.

Decolamos

Após a decolagem, fizemos uma rápida subida para o nível de voo 170 (5.181 metros), voando praticamente paralelo ao Litoral, com destaque à faixa de areia da Costa Verde, belíssima região praiana do litoral paulista e fluminense.

Pela altitude mais baixa que dos jatos (que nesta rota voam no quase do dobro altitude), foi possível observar toda a bela costa do Rio de Janeiro, sendo um dos grandes diferenciais deste voo.

Como esperado, por questão da pandemia, não houve serviço de bordo, mas caso solicitado, as comissárias, devidamente trajadas com suas máscaras, forneciam água para os passageiros. Chegando à capital, sobrevoamos o Maracanã para fazer a clássica aproximação em curva com o Pão de Açúcar ao fundo, antes de pousarmos na pista 02R às 10h15, cinco minutos antes do esperado.

No Santos Dumont foi o contrário de Congonhas. Com todas as pistas de táxi livres, rapidamente chegamos ao terminal, novamente numa posição com pontes de embarque, embora saibamos que os ATR não acoplam devido ao seu tamanho.

Agilmente, desembarcamos, dando lugar à equipe da empresa, que higienizou todo o interior da aeronave, preparando-a para o novo embarque.

Em nosso regresso, saímos sem atraso, numa decolagem pela cabeceira 02R, sobrevoando a Ponte Rio-Niterói e depois pela cidade de Niterói. Chegamos a Congonhas às 12h13, sete minutos antes do esperado.

Esse é um voo charmoso, pois é curto e com belas paisagens. A asa alta do ATR-72 favorece a vista, pois não há obstáculos e o voo mais baixo acrescenta cor à experiência, permitindo ver mais detalhes do que está lá embaixo.

Ainda não se sabe se a VOEPASS manterá esse voo após essa temporada de obras, então a chance de voar num turboélice moderno e seguro, para uma experiência diferente, o momento é esse.

O AEROIN viajou na Ponte Aérea a convite da VOEPASS

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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