Voos da Emirates para os Estados Unidos têm demorado até 17 horas devido a tensões no Irã

Após a tragédia do voo da Ukraine International Airlines, cada vez mais companhias aéreas estão evitando o espaço aéreo iraniano. Até recentemente, isso não incluía a transportadora do Oriente Médio Emirates. No entanto, a companhia aérea agora está adicionando um tempo extra e até paradas técnicas de reabastecimento em seus voos aos EUA.

Mesmo nos dias após a derrubada do Boeing 737 ucraniano por mísseis russos disparados pelo exército iraniano, a Emirates vinha executando normalmente suas rotas para os Estados Unidos, sobrevoando o espaço aéreo persa. No entanto, parece que isso acaba de mudar.

Segundo dados de sistemas de rastreamento de voos, a companhia aérea parece estar se desviando pelo Paquistão e Afeganistão. Depois, os voos entram no espaço aéreo do Uzbequistão no ponto mais ao sul antes de continuar a rota polar normal para os Estados Unidos.

Com essa atitude, a Emirates se junta a transportadoras no Reino Unido e dos Estados Unidos que pararam de voar por sobre o Irã quase que imediatamente após o acidente fatal.

Voos mais longos que o normal

A decisão de parar de sobrevoar o Irã certamente não era a vontade original da Emirates, já que esse desvio inesperado está causando alguns transtornos e custos extra. Segundo dados do FlightRadar24, todos os voos de Dubai para Los Angeles têm chegado com um atraso médio de 30-40 minutos. No entanto, os voos de Los Angeles “deram sorte”, pois têm sido concluídos ininterruptamente.

A mesma sorte não teve o voo de Dubai para Houston em 13 de janeiro, que teve que parar em Toronto para reabastecer.

A parada inesperada de combustível foi resultado dos desvios para não sobrevoar o Irã. Após o reabastecimento em Toronto, o serviço continuou para Houston com um tempo total de voo de 16 horas e 59 minutos, excluindo o tempo de parada. A rota da Emirates entre Dubai e Dallas também tem precisado de paradas para reabastecimento, desta vez na Suécia.

Voo de Dubai para Houston teve que reabastecer em Toronto

O comunicado da Emirates

“Estamos monitorando cuidadosamente os desenvolvimentos da situação em andamento [no Irã],estamos em contato próximo com as autoridades governamentais relevantes em relação às nossas operações de voo e faremos outras alterações operacionais, se necessário.”

Desta forma, parece que não há cronograma definido para quando a Emirates voltará a voar sobre o espaço aéreo iraniano. Como tal, é provável que os atrasos nas rotas polares para os Estados Unidos continuem.

Essa situação cria outro desafio. As rotas mais longas significam que a tripulação precisa de um tempo de descanso adicional antes de poder concluir a jornada de ida e volta desses serviços.

Esse cenário cria uma contingência única em que a empresa precisa equilibrar as necessidades da tripulação e dos passageiros. Dito isto, atender às advertências e evitar o espaço aéreo iraniano é uma resposta apropriada à tensão, não importa quão logisticamente complexo seja.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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