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Voos fantasmas podem voltar, caso regra de slots não seja ajustada nos EUA

Avião Airbus A320neo Spirit Airlines
A low cost Spirit está de olhos nos slots das grandes companhias nos Estados Unidos

Desde o agravamento da pandemia de COVID-19 nos Estados Unidos, em março, o setor aéreo passa por situações inéditas que têm obrigado o mercado a se reinventar. Com a lenta, mas progressiva, retomada dos voos, uma nova questão divide o setor no país: o que fazer com a abundância de slots vagos que surgiram com a queda das operações?

Slots são direitos de pouso e utilização, em um determinado horário, em aeroportos de grande demanda. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil e na maior parte do mundo, esses espaços são tão disputados nos principais aeroportos que a simples não utilização por um período considerável de tempo pode levar a companhia a perder o seu direito de utilizá-lo. É a abordagem “Use ou Deixo-o”.

Com a pandemia, as grandes companhias aéreas norte-americanas, como American Airlines, Delta e United, tiveram uma redução radical de demanda e deixaram de operar diversas aeronaves. No entanto, uma das medidas de apoio ao setor aéreo durante a crise no país foi flexibilizar a abordagem de utilização dos slots e permitir que as companhias mantivessem os direitos de pouso dos maiores aeroportos do país mesmo que não estivessem utilizando.

Voos Fantasmas

Segundo a Associated Press, essas medidas de apoio terminam no próximo dia 24 de outubro. Caso não sejam prorrogadas, as grandes companhias se verão obrigadas a utilizar os slots com voos vazios (chamados de “ghost flights” ou voos fantasmas) em um momento quando suas operações ainda estão longe do nível do período pré-pandemia. Com isso, é alto risco dos grandes operadores do mercado norte-americano perderem espaço nos principais aeroportos do país, como JFK e La Guardia, em Nova York, e Ronald Reagan, em Washington. O cenário poderia ser catastrófico para as finanças já críticas das companhias, que terão seu espaço de recuperação drasticamente reduzido.

Isso levou a Federal Aviation Administration (FAA), órgão máximo que regula que a aviação civil nos Estados Unidos, a estudar a possibilidade de estender o benefício até 27 de março de 2021, em aeroportos de grande movimentação. A medida tem forte apoio das grandes companhias, mas encontra resistência em outro flanco do mercado da aviação norte-americana que tem assumido uma importância cada vez maior na economia: as companhias médias e de baixo custo.

Oposição

Companhias como Spirit Airlines e Allegiant Air além de um grupo comercial de aeroportos norte-americanos se opõem à extensão. As empresas menores estão se recuperando mais rápido da crise, com retomada da demanda em ritmo maior e menos custos para contornar. Assim, elas estão de olho nos slots deixados pelas grandes concorrentes e pretendem assumir esse espaço nos terminais mais importantes do país.

Em reportagem da agência The Associated Press, a Spirit disse que as grandes companhias aéreas, que já controlam a maioria dos slots americanos, continuarão a buscar mais benefícios fiscais, o que limita a competição. O grupo do aeroporto disse que as isenções incentivam a subutilização dos slots de decolagem e pouso, que consideram um recurso público valioso.

Muitas dúvidas pairam nos ares norte-americanos sobre como estará o mercado a partir de agora. Profissionais se manifestam para que o Governo aceite postergar diferentes benefícios ao setor. No momento, o imbróglio continua. A FAA propõe estender, até 31 de dezembro, proteções menos abrangentes para as companhias aéreas estabelecidas em quatro aeroportos como Los Angeles, San Francisco, Chicago e Newark.

Muito querosene vai queimar antes dessa discussão chegar ao fim.

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