Widerøe planeja substituir Bombardier Dash por aviões elétricos

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A maior aérea regional da Escandinávia, a Widerøe, está levando a série o seu conceito de sustentabilidade: quer que até 2030 opere aviões elétricos com capacidade para 50 passageiros.




“Eu realmente acredito que irá haver uma grande mudança de tecnologia no setor de turboélices, e eu acho, que em fato existe a possibilidade de voar aeronaves totalmente elétricas até 2030” disse à Forbes o CEo da Widerøe, Stein Nilsen, durante a entrega do primeiro Embraer E190-E2.

Nilsen respondia uma questão sobre a substituição dos 25 Bombardier Dash 8 Q100 e Q200 que levam até 39 passageiros. Estas aeronaves foram construídas nos anos 90 e estarão em serviço até 2030 graças a um trabalho de extensão de vida que permite um aumento de até 50% no número de ciclos da aeronave.

Maioria destas aeronaves são utilizadas no PSO – Obrigação de Serviço Público. Este programa inclui rotas para cidades pequenas e remotas com passagens subsidiadas pelo governo local, de maneira similar ao EAS – Essential Air Service nos EUA.

Os Dash 100 e 200 tem características STOL – Short Take-Off and Landing para operações em pistas curtas, que é o caso de diversas no interior da Escandinávia. Porém estes modelos pararam de ser produzidos em 2009 e hoje em dia não são tão econômicos, fazendo com que a companhia tenha dificuldade de rentabilidade em rotas pequenas.

Oportunidade para a Embraer e incentivo do governo local

A Avinor é uma estatal noruguesa que controla 45 aeroportos pelo país, maioria deles de pequeno porte e com pequenas pistas. O diretor da estatal, Dag Falk-Pedersen, disse que a Noruega tem procurado a indústria para atender esta demanda.

“Na minha cabeça, não tenho dúvida que até 2040 a Noruega irá operar aviões totalmente elétricos em voos curtos” disse Dag durante uma conferência de aviação em Osolo, que complementou dizendo que “a Airbus nos disse que precisam de um cliente e de um mercado, nós podemos oferecer ambos, mas claro precisa de um mercado maior e de mais clientes, mas alguém tem que começar.”

Atualmente as opções da Widerøe são limitadas: a única opção hoje é o ATR 42-600, que leva até 50 passageiros mas que ainda não tem uma versão STOL. Esta versão denominada 42-600S foi anunciada no ano passado mas desde então a ATR não falou mais sobre o futuro modelo.

Outra opção seria uma nova aeronave da Embraer, que pretende atender o mercado de 50 assentos e marcaria o retorno da fabricante brasileira ao mercado de turboélices. A idéia existe e foi anunciada pelo seu presidente, John Slattery, mas não é um projeto confirmado.

Com informações da Reuters e da Forbes

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos